Porque a vida é uma sacola...


Trabalhando, trabalhando e trabalhando!

Um pouco do meu trabalho no CEU Guarapiranga. Vídeo que eu mesmo fiz....

 



Escrito por Bruno César às 20h13
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SOCORRO!

 

Ontem às 8h30 da manhã, no ponto de ônibus da ponte do Socorro (foto), fui assaltado.
Ao chegar num ponto não muito cheio, um rapaz me cumprimentou e com voz baixa disse que seu amigo estava armado. Se estava ou não, eu não vi e pouco importa para o que quero escrever.
Resumindo o acontecimento, os dois me levaram o celular e o único dois reais que havia na minha carteira.
Pois é, eu tinha apenas dois reais na carteira.

Antes de partirem, um deles ainda falou para o outro: "Devolve o bagulho pro moleque!" referindo-se ao celular. Talvez por um segundo tivesse ele percebido que sua miséria é também compartilhada por um trabalhador novinho de pele branca e pobre.

Não os culpo. Não tenho raiva dos dois, eles são frutos de uma sociedade corrompida por um sistema falido, assim como eu também sou. A falta de escolha que os dois me ofereceram é a não-escolha que eles possuem todos os dias, diante da luta de sobreviver numa cidade como a nossa.

Se eu fui assaltado por eles ontem, eles, por sua vez, são assaltados todos os dias pela vida. Veja bem, não quero colocá-los como inocentes ou coitadinhos, mas também não quero ser simplista dizendo ser eles o culpado ou então transferindo todo meu ódio em dois coitados que talvez roubaram para cheirar droga, pois o que talvez lhes restam é cheirar, é morrer usando drogas. Quem sou eu pra dizer que eles estão errados? Tenho certeza que não vivi um terço do que aqueles dois homens viveram em suas vidas...

Acabo de me imaginar de mãos dadas com aqueles dois homens, sendo, nós três, roubados, estuprados, marginalizados, por toda uma sociedade cruel e preconceituosa gritando em nossas caras: "Vão trabalhar, filhos da puta! Não cresceram na vida porque não quiseram!" O que é querer? O que é a escolha? Quem é que escolhe?

E em seguida, jogados na beira da calçada, ensanguentados e destruídos, nós três ficaríamos ali por horas... e horas...

Até que finalmente eu teria forças para, lentamente, erguer a cabeça de um deles e com todo o amor que eu pudesse ter e que eu ainda talvez nem tenha, beijar os seus lábios, num beijo doce e inocente.

Não estou entendendo mais nada...  Eu fui assaltado, levaram o que de mais puro havia em mim, eu não sei bem o quê, mas levaram. E o meu trabalho como artista e professor não é a transformação disso? Mas diante de uma situação idiota como essa, eu me sinto incapaz e uno meu trabalho a uma utopia... 

Talvez eu ainda seja novo demais... Pois então, que eu não perca meus desejos de mudanças e transformações, que eu ainda possa respirar nesse rio pobre e infectado...



Escrito por Bruno César às 14h53
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Internet X Globo

E a TV Globo treeeeeeme com o acesso a informação!!!

Do blog do Luiz Azenha



Escrito por Bruno César às 14h06
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Migalhas!

 

Ó nóis ali pegando as migalhinhas!!! Ê laiá... 



Escrito por Bruno César às 16h27
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Donald Trump, me demita!

Donald Trump, me demita!

Ele olharia bem no fundo dos meus olhos, se ajeitaria na sua cadeira e diria: "You are fired!" em outras palavras "Cê tá demitido ô babaca!"

Eu levantaria da cadeira calmamente e com lágrimas nos olhos, subiria na mesa e daria um belo beijo na boca daquele gorducho! Eu agradeceria todos os dias da minha vida por ouvir aquilo! Se fosse para se entregar ao mercado, vender a alma para o capEtalismo e vir minha essência ser perdida para servir ao pensamento neoliberal, eu rezaria um terço todos dias por ter sido demitido!

Não! Eu não quero fuder meu amigo para vencer! Eu não quero sempre vencer... Eu não quero lucrar com o trabalho escravo do outro, eu não quero aprender a falar bonito pra impressionar meu chefe, não quero estudar marketing empresarial e criar um personagem para viver. EU QUERO SER DEMITIDO! Desse universo podre, desse sistema vigente e cruel. Quero dizer não aos que acham ser donos do mundo, quero ir contracorrente!

Quero continuar nadando contra a maré, enquanto o Donald Trump e seus conselheiros dão braçadas na minha cara me forçando a nadar ao seu favor. Não importa, eu vou nadar por baixo, pelo lado. Eu darei um jeito de continuar, de qualquer modo!

Sentiria um prazer tão grande por cair fora dessa imundice, dessa sujeira que tantos almejam chamada poder! Me demita Donald Trump se é que algum dia eu fui contratado, se é que algum dia você viu em mim valores parecidos com os seus, me jogue pra fora antes que você me envenene com seus discursos, presentes e promessas! ME DEMITA! Já! Agora!

Pensando bem... eu acho que já pedi demissão há um bom tempo... e sem cumprir aviso prévio! Quem caiu fora foi eu! E por livre e espontânea vontade. Não preciso do seu aval... Por isso, beijinho beijinho, tchau tchau!!!

Tenho dito!



Escrito por Bruno César às 16h20
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Virada Cultural!

DIGA NÃO À VIRADA CULTURAL!!!

No ano que vem, na próxima edição da Virada Cultural, se junte a uma campanha que eu e amigos vamos criar: DIGA NÃO À VIRADA CULTURAL.

O grande trunfo do governo Kassab nada mais é que uma grande tapeação à população. A ideia de 24 horas de "cultura" me assusta! É como se dissesse: "Olha, já que vocês reclamam tanto que não fazemos nada 'cultural' na cidade, aí vai um monte de 'atrações' pra vocês curtirem bebendo à vontade!" Ou seja, um pensamento tipicamente direitista, cujo principal foco não está voltado para uma ação cultural a longo prazo.

Por que ao invés de 24 horas de "cultura" não pensamos em 365 dias de pensamento artístico por ano? É esse pensamento hipócrita que me incomoda. Eles acham que vamos cair nessa brincadeirinha de fazer cultura. "ENFIA CULTURA NO POVO! Vamos lá! Uma programação completa!" Completamente ruim! Completamente desorganizada!

E olha que quem está falando é um participante assíduo, que em 5 Viradas já participou artisticamente de uma e como plateia de duas!

Ao caminhar pela Praça da Sé, se vê os mendigos deitados tentando dormir. Enquanto a população (bêbada) caminha como se tais não existissem. A cidade se prepara para que a burguesia e os pobres se unam. Que coisa mais linda, não? Mas é claro que a "elite branca" (como disse Claudio Lembo) está muito bem assegurada por policiais que garantem sua tranquila caminhada pelo centro. Hiprocrisia!

DIGA NÃO À VIRADA CULTURAL!

Não vi qualquer manifesto cultural. Vi uma bagunça, uma sujeira, e um monte de gente que acha que está fruindo alguma coisa semelhante à arte. Mas a culpa não é deles, afinal o governo faz muito bem feito (com o apoio da mídia, é claro), faz com que acreditemos que aquilo ali é bom e que estamos diante de uma verdadeira congregação artística!

EU NÃO QUERO VIRADA CULTURAL, EU QUERO AÇÃO CULTURAL!

E isso muda muita coisa! Ação cultural é um conceito de cultura a longo prazo, que busca um cidadão participante, crítico, capaz de distinguir o que é produto de uma indústria cultural e o que é fruto de uma sociedade, respeitando seus costumes e sua tradição!

São Paulo é uma metrópole como tantas outras pelo mundo, e por isso mesmo acaba sendo igual às outras: vazia. A ideia de Virada Cultural, nasceu na Europa em Paris! É como sempre o pensamento medíocre do colonizado querendo copiar o colonizador, negando suas origens, suas raízes. "É isso minha gente, vamos fazer uma bela maquiagem e mostrar pro mundo que São Paulo tem cultura 24 horas!"

E não adianta vir com números, mostrando que uma grande parcela de pessoas foram às ruas. Sim, foram. Pra quê? Pra continuar a fazer parte do rebanho dos neoliberais??? Eu prefiro 10 pessoas pensando na sociedade, do que mais de 4 milhões de pessoas fumando maconha, bebendo, se divertindo e saindo na foto para que o Kassab mostre e diga que fez cultura. E nada contra a bebida, a maconha e a diversão, eu tenho certeza que as 10 pessoas citadas poderiam pensar criticamente usufruindo de tudo isso. O problema é mais embaixo...

Na próxima Virada, estamos combinado? Não vamos! Boicote total! Eu quero cultura de verdade e não essa palhaçada!

Ufa! Desabafei!



Escrito por Bruno César às 00h37
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100 dias Obama!

E sobre os 100 dias de governo de Obama uma frase:

"Infeliz do povo que precisa de heróis..." Bertold Brecht



Escrito por Bruno César às 21h30
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José Serra!

CUIDADO COM O ESPIRRO DOS PORQUINHOS!!!

Para explicar a gripe suína, com vocês o candidato a presidente que a Globo, a Folha de SPaulo, e outros canais (com leeeeeeve tendência ao capitalismo) nitidamente querem eleger:

 

Se fosse o Lula iriam dizer que elegemos um homem sem curso superior, e com o Serra o que disseram????

Nada! Aliás, não vi no Jornal Nacional e nem na UOL... Estranho né?



Escrito por Bruno César às 20h33
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O ofício de ser professor..

 

Qual a função de um professor?

Estava conversando com uma companheira de um curso de palhaço que estou fazendo. No bate-papo o assunto era dar aula!

Ela é professora de Artes numa rede Estadual perto da USP Leste!

Eu perguntei: "E como você consegue gostar de dar aula? Eu estou dando aula e estou quase me matando..."

Ela: "Ninguém gosta! Não existe quem goste... É impossível sentir prazer nas situações que a gente passa..."

E essa afirmação me fez pensar em muita coisa. Durante minha formação na faculdade sempre tive a certeza que gostaria de me formar em licenciatura, ou seja, estudar para ser professor. E foi bom. Não aprendi o suficiente, afinal a Faculdade não é das melhores, mas saí de lá querendo mais... Li livros do Paulo Freire que me encantaram e que me fizeram repensar um preconceito que tinha, do tipo "Só é professor quem não teve outra opção!" Não! Ser professor é uma escolha... e não uma falta de!

Pois bem! Consegui esse ano pegar algumas aulas numa escola particular aqui perto. E é aí que a coisa pega. Comecei a me questionar sobre a importância de um professor na vida de uma criança ou de um cidadão. Qual o papel da Escola? O que de fato devo ensinar? Será que é tão importante assim o aluno sair da Escola sabendo quem foi Mozart, mas não tendo a mínima idéia do que é uma Ciranda ou um Maracatu?

Será que estou preparado pra encarar isso? Será que quero de fato enfrentar todo um sistema de uma educação tradicional e dizer: "Pera aí! A Escola é um lugar de debate e não de imposição!" Será que os alunos gostariam? Será que a direção me engoliria? Será que quero pra pagar pra ver?

Nas reuniões pedagógicas tive que ouvir comentários dos mais absurdos, do tipo:

"A escola está facilitando muito pro aluno... Temos que dificultar as provas..."

"Esse ano não vou mudar nenhuma prova, já estão todas prontas no meu computador! Ah, cansei... Tô com preguiça..."

"Pedro!!! Pra trás... Aluno fica atrás do professor!"

"Num vejo a hora desse 3º ano cair fora..."



 

Penso nisso e me pergunto: "De quem é a culpa?" Os professores que pensam dessa maneira acima, ou seja, que acham que a Escola é fonte de sabedoria e os alunos pouco ou nada tem para contribuir, esses professores também são vítimas de um sistema que valoriza a competitividade, quer dizer, para que você seja um grande empresário você precisa tirar notas 10!

Todos os dias volto pra casa cansado. Cansado por tentar nadar contra a maré. E agora começo a entender a frase da minha amiga lá de cima... É IMPOSSÍVEL GOSTAR DE FAZER ISSO! Sim! Porque o sistema de governo atual nos coloca nessa situação, joga em nossas mãos uma educação falida, um pensamento radical, um ideal de direita, que pensa o cidadão como um grande concentrador de dinheiro e defensor da propriedade privada, do individualismo...

Sobretudo no Estado de São Paulo que por 14 anos está nas mãos do PSDB seja por Mário Covas, Geraldo Alckimin, Claudio Lembro e agora, pelo maior obsessivo pelo poder, José Serra!

A Educação, como tudo no sistema atual, foi entregue ao mercado. Isso quer dizer que se você quer ter uma boa educação, que pague por ela. Ou seja? A Escola se transformou numa empresa. E o objetivo principal de uma empresa é o lucro. A escola está preocupada com a mensalidade do aluno, ou seja, se o pai (a fonte da grana) quer ver o filhinho dele "fantasiado" de índio numa pecinha de teatro, a escola faz! Se a mãe quer ganhar um presentinho nos dias das mães, a escola faz! A escola faz tudo para que o "cliente" não deixe de comprar a mercadoria. A educação virou mercadoria!

Não existe preocupação com a qualidade de ensino, com a qualidade pedagógica, não existe preocupação maior do que a grana!!!



 

E quando meus alunos dizem que a escola é um saco, eles têm razão! Eles não são crianças rebeldes e inocentes, eles já sentem na pele que aquela fórmula está ultrapassada, que o autoritarismo da escola não ensina nada. Quando uma criança sai da minha aula de teatro e me pergunta "Tio, hoje não teve teatro?" "Como não? Acabamos de sair da aula..." "Mas a gente só brincou!" Quando uma criança me diz isso, me assusta! Pois a escola já está enfiando na cabeça dela que ao brincar ela não está aprendendo, que aprender não está ligado ao prazer, que quando ela está se sentindo bem, ela não está aprendendo! A escola deforma o aluno! Não existe prazer em aprender na escola! Que espaço de troca é esse???

E detalhe, nessa escola onde trabalho tenho uma sala própria de artes e poucos alunos em sala. Agora imagine todos problemas com uma sala com cerca de 40 alunos, sem estrutura, sem material e com crianças em situações limites!

Se o aluno não gosta de matemática é porque não há sentido pra ele! A escola deveria ser o lugar onde o cidadão encontra sentido para viver! É lá que ele deveria se questionar, indagar, perguntar sobre a sociedade que o rodeia. E apartir desse pensamento entender porque aprender português, física... Afinal do jeito que é ensinado essas matérias, não há prazer que resista! A escola fragmenta a criança, faz com que ela aprenda cada matéria separada sem realizar qualquer ligação entre uma e outra! O aluno se transforma num grande bagageiro onde os professores enfiam, ou tentam enfiar, as lições. O aluno se transformará num adulto vazio, que não consegue relacionar nada na vida, que não compreende a função de existir! E o sistema capitalista, quer mais que ele seja assim... Pois só alienando os cidadãos é que poderão transformá-los em mão de obra barata!

E por tudo isso e muito, muito mais! Resolvi abandonar a escola... Acho que esse caminho não é pra mim! É muito penoso! Acho que nasci para fazer esse mesmo caminho no Teatro! Já vou me ferrar demais no teatro, não aguentaria com a educação... Como já disse, é uma escolha!!! Uma forma de viver! E essa forma de viver eu já escolhi no meu grupo de teatro...

 

Ensinar, por essência,  é uma forma de intervenção no mundo, uma tomada de posição, uma decisão, por vezes, até uma ruptura com o passado e o presente!

Paulo Freire

 

 

Vamos ver o que será! Tudo está bastante confuso pra mim... Eu só quero buscar meus ideais numa sociedade corroída pela desesperança e pela alienação... É difícil... É bem difícil...

OBS: Imagens tiradas do livro "Cuidado, Escola!" apresentado por Paulo Freire. Vale a pena ler! É cheio de imagens que dá pra trabalhar em sala de aula!

 

 

 



Escrito por Bruno César às 22h41
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Fomento

FOMENTO!!!

Pois não é que o Humbalada foi contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro???!!!!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!

O Fomento é uma lei que subsidia grupos de teatro de São Paulo com uma graninha pra que os grupos executem seus projetos. Abre-se um edital, você se inscreve na prefeitura e uma comissão analisa os projetos, escolhendo 20.

E NÃO É QUE CONSEGUIMOS????

A felicidade é tremenda, a sensação é de um trabalho reconhecido. É como se alguém olhasse pro seu trabalho e dissesse: "Bem... não é tão ruim assim!" É como se o que você vem fazendo há anos fizesse algum sentido, como se você ganhasse forças pra continuar o que já vem fazendo há anos.

É entender a importância de política pública, é entender que o teatro não está a serviço do mercado, é entender que há um caminho para cultura nessa cidade, é trabalhar para fazer jus a essa conquista.

É o início de uma nova etapa. Não o fim. Nunca o fim. É batalhar, cavar buracos nesse bairro, cavar pessoas nessa região, cavar sensações, cavar a si mesmo. Olhar pra frente e ver que durante 14 meses temos a possibilidade de ganhar forças para continuar por toda vida.

Ganhar Fomento é o meio e nunca o fim. É privilegiar o processo e não o resultado o final. É saber que o importante é a pesquisa e não a montagem. São tantas coisas...

Muito trabalho! MUITO! Eu quero mais é que venha, eu quero mais é mergulhar nesse bagunça que é o processo de criação, eu quero mais é que essa gente toda do bairro Cidade Dutra e Grajau saiba que existe teatro aqui, quero mais é me aventurar sem saber o que vem pela frente. Claro, tendo sempre o foco lá na frente muito bem definido, mas me divertir muito nesse caminho até lá...

Ufa! A ficha ainda não caiu...



Escrito por Bruno César às 15h13
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O Capital

Não é estranho que um livro que desenvolve argumentos contra o capitalismo custe entre R$ R$ 91,80 e R$ 126,90 ????

O livro em questão é "O CAPITAL" de Karl Marx na versão resumida por Julian Borchardt!

Outra opção é comprar a versão sem resumo (foto acima) numa coleção com seis volumes que custam cada um cerca de R$ 50,00 dando um total de R$ 300,00 por todos.

"O CAPITAL" é uma obra incompleta, tendo sido publicado apenas o primeiro volume com Marx vivo. Os demais volumes foram organizados por Engels e publicados posteriormente.

A leitura é bem difícil, mas estou afim de me aventurar nela! Aliás, é um dever nosso!

Mas como? Não tenho dinheiro pra isso!!!

Deixa o barbudinho saber o que estão fazendo com sua obra... Vai se revirar no túmulo!

Enquanto isso vou rezar pra que ele me ajude a ganhar alguma grana extra pra comprar seu livro!

Aí o local onde ele está enterrado! Fica em Londres. No mínimo devem cobrar uns 50 doláres dos turistas para visitar!

Fica a dúvida: está enterrado aí também a teoria comunista? Tcham tcham tcham tchaaaam!

(Teoria o quê?)

É...



Escrito por Bruno César às 20h16
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Considerações sobre a Lei Rouanet

Acabei de ver uma reportagem no Jornal Nacional da Rede Globo sobre as mudanças na Lei Rouanet.

A Lei Rouanet é uma lei criada para que os grupos ou produtores de teatro possam por meio de uma isenção fiscal das empresas, realizar os seus projetos obtendo um patrocínio. Em outras palavras ao invés da empresa pagar um determinado imposto para o governo, ela remaneja parte desse dinheiro para um projeto cultural que tenha sido aprovado pela Lei Rouanet.

E aí que vem a questão. Ao ser aprovado pela Lei, você, fazedor de teatro de grupo, que custou para escrever o seu projetinho deve sair a caça para conseguir os patrocínios das empresas. Enquanto que os produtores dos artistas globais e glamorousos ganham facilmente patrocínios de empresas que estão preocupadas com a imagem e com o marketing.

Que empresa estaria interessada em patrocinar um grupo da periferia da Zona Sul, desconhecido e desprovido, digamos assim, de uma beleza à la Gisele Bunchen? Entre Marília Pêra e Bruno César, quem você escolheria? (Bruno quem???) As empresas sem dúvida alguma ficariam com a atriz, que com toda certeza traria uma imagem ótima e muito, mas muito lucrativa!

Vivemos numa lógica de mercado. O que vale é money! O Estado entregou nossa cultura para as empresas. Privatizaram a nossa cultura! Ao invés dessa grana toda estar nas mãos do governo e a partir de um edital criterioso os projetos se inscreverem e serem avaliados por pessoas de teatro e não por marketeiros, o Estado prefere entregar seu dever para o privado e deixar com que uma política de balcão seja o único meio para se fazer teatro!

Diante disso, o então Ministro da Cultura, (não, não é o Gil), Juca Ferreira, está decidido a modificar SENSIVELMENTE a Lei Rouanet. A matéria da tão tendenciosa Rede Globo, mostrava exatamente isso. E como é de costume o jornal no final da matéria mostra dois produtores comentando as modificações, e como também é de costume a Globo mostra somente o lado que lhe apetece.

Um dos produtores é a atriz Marília Pêra. Eles comentam que têm medo que haja um "dirigismo cultural" no país. Opa! Dirigismo cultural??? Será que não passou na cabeça deles que o dirigismo cultural já existe e que são eles mesmos que promovem? Ou fazer com que uma lei só beneficie uma determinada classe que é na verdade a esposa dessa política capitalista, não é uma forma de dirigismo cultural?

As mudanças propostas não irão resolver de nada. As empresas continuarão a bancar musicais, circos estrangeiros, concertos e óperas internacionais, pois são eles que lhes dão visibilidade e consequentemente lucro. Essas modificações na lei é como tentar arrumar cano colocando chiclete. É continuar a promover uma politicagem miúda e sem sentido; é esquecer que o papel do Estado é o de promover a cultura e arte sem qualquer intenção mercadológica. Cultura não é mercadoria e portanto é dever do Estado fazer com que ela aconteça.

E os grandes produtores, aqueles que são amigos do dono da Fiat, que jantam com o tesoureiro da Volkswagem, não estão de brincadeira, não são qualquer um, estão aí pra briga, e o pior, eles têm a mídia do lado deles, os jornais e as revistas com forte tendência direitista. (que não são poucas)

Os grupos de teatro, os verdadeiros fazedores de uma cultura que vai contra-corrente, afinal a função da cultura é estar sempre questionando a sociedade sobre o sistema vigente, esses artistas devem se unir e ir pra luta armado. Armado de boas ideias, de um teatro decente, de um teatro legítimo, de uma arte transformadora!

É não deixar a peteca cair! Se é que ela um dia subiu...



Escrito por Bruno César às 01h49
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Tudo se potencializou

Um pouco sobre o que senti e passei participando de um Festival de Teatro Amador...

 

Tudo se potencializou

O nó na garganta.

Minha vontade de voltar para São Paulo, minha crise em relação a minha incapacidade de dar aula, minha angústia sobre o teatro.

Como posso ter ficado tão intrigado pela opinião de três pessoas? Será que não eram as minhas próprias opiniões escondidas dentro de mim? Será que no fundo eu sempre soube daquilo e ter de encará-las foi uma guerra de egos e sensações?

Mas como todos dizem “não era pra tanto”...

No fundo o que eu queria eram elogios e a garantia de que algum daqueles prêmios fosse nosso. Pra quê? Se eu tivesse saído de lá vitorioso, não estaria pensando nisso tudo. Como sou imaturo...

Ao nos perguntar sobre o pra quê do espetáculo, os jurados me fizeram perguntar o pra quê de estar me apresentando ali. Eu perguntaria à eles “Pra quê ser jurado de Festival?”

Competitividade, comparações, classificações, premiações, ordens, horários, tempo pra conversa, tempo pra comer, tempo pra resposta, tempo pra pensar, tempo, tempo... O mundo já ta cheio disso, o teatro não precisa disso. O teatro não pode estar a serviço disso.

Se ser jurado de festival é mudar o pensamento dos grupos para que, antes de se inscreverem em festivais, estes repensem sobre a importância do evento, os jurados então cumpriram sua função. Mas o teatro, como eles mesmos nos ensinaram, vai além disso.

A culpa não é deles. A culpa não é de ninguém. Não existe culpa. Existem fatos. E o fato é que o que eles disseram é verdade e isso me dá um puta de um ódio de saber que no fundo eu sabia disso tudo e por preguiça, por falta de tempo, por falta de vontade, por falta seja do que, nós não investimos nessa peça e não fizemos dela um sucesso. Mas o que é um sucesso? Sucesso pra quem? Pros três jurados? Ou então sucesso pode ser traduzido como o mínimo de qualidade artística, o que segundo eles, não tivemos.

É como se jogassem num liquidificador minha dedicação, minha ambição, meu tesão, minhas crenças, minhas leituras, minhas improvisações, meu teatro, e triturassem tudo transformando numa inútil gosma preta e suja.

As pessoas por ordem não sei de quem, devem servir para alguma coisa. Eu tenho que servir para algo, eu tenho que produzir algo que me dê dinheiro, eu tenho que ser útil mesmo que seja servindo lanche no McDonalds, eu tenho que servir sempre. Eu achava que minha função na sociedade era servir ao teatro, eu achava que a única coisa boa que eu fazia, era teatro. Mas os três jurados me contaram, como quem conta sussurando dentro do ouvido, que eu não sabia fazer nada aquilo. Que a única coisa da minha curta vida que eu achava estar fazendo bem, era na verdade um equívoco.

E as crianças? Coitadas, elas não merecem nada disso. Não merecem aqueles comentários e não merecem minhas crises. Elas merecem um bom teatro, seja ele qual for.

O meu respeito por todo tipo de trabalho cuja pesquisa esteja presente, será maior agora. Eu descobri que o que eu mostro pode não ser quem eu sou. Eu descobri que o mundo já me cobra resultados demais e que perpetuar isso não pode ser justo, eu descobri que no fundo eu sei muito pouco da vida. Descobri que entender o ser humano é tão difícil quanto entender o teatro. Como entender aquela mulher querendo mostrar a todos que conhece a Fernanda Montenegro? O que se passa naquela cabeça? Como entender uma pessoa que analisa um espetáculo anotando fielmente suas impressões como um clown branco que depois cobra do clown augusto SENSAÇÕES quando na verdade ele próprio não estava aberto para tal. Mas o branco esquece que é tão idiota quanto o augusto. Que ele é também um imbecil e que a arte não é feita de regras.

Mas como todos dizem “não era pra tanto”...

Sou muito jovem e sei que essas angústias são típicas de jovens. Jovens revolucionários, jovens passionais, jovens felizes (ou seria jovens alegres?), jovens em busca da utopia de uma sociedade menos rival. Jovens indignados que mais tarde infelizmente se tornarão velhos ranzinzas aceitando as regras do jogo como aqueles três jurados aceitaram.

Novamente, a culpa não é deles. A culpa não é de ninguém e é de todo mundo. A culpa é minha que me inscrevi e quis me submeter a avaliações, além das quais eu já me submeto todos os dias.

A pergunta não é pra quê do espetáculo existir. A pergunta é pra quê estar em Atibaia apresentando. A lógica básica do clown é “pra onde eu venho e para onde eu vou”. Essa é a pergunta. “De onde viemos e para onde vamos?” Se soubéssemos saberíamos o pra quê do espetáculo e talvez nem estaríamos em Atibaia apresentando. É preciso que respondamos essa pergunta para continuar a trabalhar...

Chego a conclusão que não quero mais apresentar o espetáculo sem que respondamos essas perguntas mínimas para a partir daí responder as perguntas técnicas do teatro. O teatro para mim é por si só político e não sinto isso em nosso espetáculo. Aliás, sinto sim, pois está nessa não-qualidade pois foi feito para vender.

Não sei mais o que quero. O mundo está em crise e eu também!

 

Bruno César Lopes 



Escrito por Bruno César às 19h58
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"Eu poderia mudar de cidade, mas afinal eu não mudo de pessoa"

Rubem Braga (trecho do livro A Borboleta Amarela)

Grafite: Iaco



Escrito por Bruno César às 00h46
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Voltei!

Olá!

Depois de muito tempo, achei esse blog perdido na internet.

Criei em fevereiro de 2006! Estou fascinado com blogs, ando fuçando alguns por aí e vejo como pode ser interessante e útil, além de um simples diário!

Resolvi reabilitá-lo! Vou começar a escrever minhas impressões. Deixei os antigos posts para quem quiser dar uma lida nos textos que fiz há muito tempo.

Vamos lá!

 



Escrito por _b_r_u_n_o às 22h01
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